sábado, 18 de dezembro de 2010


Sempre distribuí sorrisos. Foi sempre tão fácil arrancar-me uma gargalhada, um abraço. Quando me magoavam, facilmente a minha alma libertava o coração, atirava tudo para trás das costas e deixava no passado, perdido algures onde não mais seria encontrado. Os dissabores que este fio me trazia eram rapidamente esmagados pela certeza que todos nós temos os nossos q's, que as imperfeições de uns, são as alegrias de outros. A Sua partida transformou-me. Em determinado momento tive receio que fosse para sempre, tal como a Sua morte. Durante estes dois anos conheci o ressentimento e não me orgulho. Tentei libertar-me. Tantas vezes chorei quando o meu coração não conseguia ser racional. Procurei respostas, em noites longas culpei-me por não ter sido capaz de decifrar o que a vida me tentou mostrar. Culpei-me pela longa ausência. Fui egoísta quando parti em busca da minha felicidade. Culpei-me por cada dia que me permiti longe de quem mais amava. Por cada partida e por cada amanhecer longínquo. Não fui capaz de perdoar-me por não lhe ter ligado, naquela noite, quando me perdi algures entre aquelas estradas desertas. No meu intimo, cheguei a culpar tudo e todos. Culpei-me e desejei partir contigo. O meu coração conheceu o ressentimento. Confusa. Percorri estradas a fio sem me lembrar de o ter feito no final do percurso. Odiei de manhã e adorei à noite. Escondi as minhas lágrimas em sorrisos forçados, no entanto, nunca menti, sempre disse o que sentia. Fui inconstante e isso reflectiu-se nos meus desabafos junto de quem mais amo. Com o coração apertado pedi-Lhe orientação muitas vezes, ainda que todos me dissessem para não o fazer. Fui do contra. Refugiei-me no silêncio e tornei-me mais solitária. Hoje começo a reencontrar-me. Sinto a minha alma mais leve, ainda que a vida me tenha arrancado o coração naquele amanhecer. Trago comigo a certeza que me amava assim, abraçada a quem me faz bem, a quem faz parte da nossa história. Sem amarguras. Nem ressentimentos.

5 comentários:

Maçã e Canela disse...

Este texto está lindo. Comoveste-me muito e espero que te encontres de hoje em diante, com muita esperança de dias melhores*

carla susana rafael disse...

A isso minha querida Amiga...chama-se ser humana!
Bj

carla susana rafael disse...

A isso minha querida Amiga...chama-se ser humana!

BJ

Mr. Me disse...

Não é só ser-se humana. Nem todos os humanos têm a capacidade de dizer o que está aí escrito. De expor em palavras o sentimento que lhes corre na cabeça e no coração. Isto é de grandiosidade; mesmo que não se saiba. Mesmo quando se pensar que se é terreno e normal, é nisto que se vê - quem.

Gosto! Tenho orgulho em ler-te!

Suspiro do Norte disse...

Um abraço para vocês,


Com carinho.


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