sexta-feira, 13 de março de 2009

Sempre dissemos que acabaríamos a trabalhar juntos. O meu irmão soltava sempre " Um dia trabalharás para mim", mas já sabia que a correcção viria. "Para ti não, contigo". Ele sorria sempre, olhava-me carinhosamente e lembrava-me que era um mundo de trabalho para lá de intensivo. Eu não tinha medo, nem tão pouco me assustava com isso e ele, melhor que ninguém, sabia-o. Projectávamos a minha entrada de mansinho na Contacto, e a gerência da grande obra da sua vida que seria o Restaurante que ia abrir, juntamente com o seu melhor cliente e amigo. Era um projecto daqueles que nos dão calafrios na barriga só de pensar. Um espaço enorme numa das mais movimentadas ruas desta Terra de Horizonte e Mar. Os meus pais inicialmente ficaram apreensivos mas depressa todo e qualquer receio se dissipou. Bastava ouvi-lo. Bastava observa-lo e acreditávamos. Com a sua capacidade de trabalho, empreendedorismo e inteligência sabíamos que seria capaz de levar adiante este sonho gigante. Só dele. Especial e feito à sua medida. Quando nos mostrou o espaço as ideias dele fluíram. Sabia exactamente como queria cada canto dos dois andares. Tinha tudo na mente e as palavras eram reflexo disso mesmo. Falou-nos sem hesitação, firme e foi capaz de nos dizer exactamente o que pretendia. Ele era assim,tinha essa capacidade única de acreditar e fazer-se acreditar . Infelizmente não teve tempo para o concretizar. Talvez tenha sido Deus que assim ditou, não sei.Naquele factidico dia que nos roubou toda a nossa vida, todos os nossos sonhos sabia que não conseguiria levar adiante esse sonho, dele. Com a vida completamente virada do avesso tive que tomar muitas decisões e das quais me orgulho. Lembro-me que nem tive medo. Fiquei gelada com o sangue bloqueado e recusava-me a acreditar. Não era assim que as coisas deveriam ter acontecido. Eu ia entrando na Contacto pouco a pouco. Mas o pior aconteceu e tinha lhe prestar a maior homenagem. Por tudo e por nada, mas essencialmente por ser ele quem mais amo e admiro, por ter sido ele o meu Herói toda a minha vida, por todos os amo-te que dissemos e por todos os que ficaram por dizer. E assim foi, a menina virou mulher naquele dia. E só tinha duas preocupações, a minha família e a empresa. O resto viria por arrasto. Hoje olho para trás e receio o futuro. Não chorei a partida dele e sei disso. Inconscientemente ainda dou por mim em casa sentada à mesa, à espera de o ver chegar naquele jeito apressado tão dele. Mas ele não chega. E sinto os meus pais a morrerem lentamente, a envelhecerem dia após dia numa vida que não era suposto ser assim. Todos os dias eu sorrio-lhes. Todos os dias mostro-lhes uma Áurea com boa cara ainda que cansada. Todos os dias lhes falo da minha maratona diária, para que não se preocupem. Todos os dias me ligam a perguntar a que horas chego para jantar, tal como durante 27 anos fizeram com o meu irmão. Assim, muitas vezes chego a casa e limpo as lágrimas no vão da escada. Sei que sofrem ainda mais por me verem sofrer, e eu faço tudo,tudo para amenizar a dor deles, uma dor inconcebível, só deles e que lhes retirou parte da vida.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Parabéns a voce

Um saltinho rápido para desejar um feliz aniversário à minha priminha Eduarda que faz hoje um aninho e à Sarinha que faz 23.
Xi apertadinho

terça-feira, 10 de março de 2009

Ora toma

Hoje fui ao ginásio. Inacreditavelmente eu sei, mas a mais que não seja para calar as bocas de gozo e descrédito do sr meu marido que apostou que não iria. Fui após o trabalho e estou exausta. O meu corpo só pede banheira, massagens e cama. E cama e mais cama. De enervar as parvinhas que por lá se passeiam e discutem as cores das unhas, a noite do Porto, os calções do personal trainer. Cinco minutos de exercício, dez de conversa empoleiradas nas máquinas. Enfim. A registar o dez a zero que a minha mãe me deu. Uma força da natureza esta minha mãe.


segunda-feira, 9 de março de 2009

Como o M. disse

Com as pedras que me atiram, eu construo meu castelo.

Coração alfacinha

A menina que partiu para Lisboa, para três anos depois regressar mulher, foi este fim-de-semana à capital visitar aqueles que lhe enchem a alma.
Ombros amigos, sorrisos sinceros, piadas na altura certa. De coração aberto abracei-me a cada um deles. Ai que as saudadinhas apertavam.Foi um desabafo na altura certa, prestes a explodir. Foi o chorar sorrindo, o sorrir a chorar. Foram gestos de carinho que me limparam as lágrimas. É o saber ouvir, o dizer que se gosta porque se gosta e se quer bem. Sem contrapartida alguma, apenas porque é bom dar mas também receber. E isso de tão raro torna-se quase que inatingível e inconcebível, assumindo um misto de precioso. Algo que me orgulho de ter na minha vida. Ainda que longe, amigos que são isso mesmo. Amigos. Com tudo o que isso implica.
E aqui deste cantinho, no norte, tenho-vos no coração.
Eu volto.

sexta-feira, 6 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

Só vejo roxo

É impressão minha ou anda tudo de roxo? Eu olho em volta e só vejo malas, botas, camisolas roxas.Casacos então nem vale apena falar. Está bem que é moda e tal, mas começo a pensar que tá tudo louco. Ele é montras em tom de roxo, logótipos, chávenas nos cafés. É a roxamania . Eu tenho uma ou duas peças no meu armário admito, que neste momento não visto por razões óbvias, mas ainda estou muito longe desta febre que se ta a viver. As garotas então, em cinco, três aderiram à moda. Para o comprovar? Basta passar em frente a uma escola secundária, à hora de saída e é vê-las histericamente vaidosas a exibir o seu roxo. Roxo ou roxinho como dizia em tom de brincadeira o meu querido irmão.
Não há paciência.

Eu já

Uma amiga perguntou-me porque nunca fui numa de "eu já" ou "eu nunca". Ficam já aqui dois, nunca me lembrei e eu já vou tratar disso. Hoje fico-me pelo primeiro. O outro terá de esperar.

Eu já recebi a notícia da morte da pessoa que mais amo, o meu irmão.
Eu já conduzi alcoolizada.
Eu já quis viver em Paris e estudar em Londres.
Eu já fui louca por pastéis de nata.
Eu já corri os hospitais à procura duma amiga.
Eu já passei férias no Algarve praticamente sozinha.
Eu já trabalhei numa discoteca.
Eu já acusei álcool no sangue sem ter bebido uma única gota.
Eu já desisti a meio duma prova oral.
Eu já chorei por amor.
Eu já abdiquei do meu sonho profissional.
Eu já vi voar a minha roupa em plena A8.
Eu já decidi a data do meu casamento 150000 vezes.
Eu já fui agredida no meio da rua.
Eu já regateei com ladrões.
Eu já sorri quando me apetecia chorar.
Eu já usei aparelho nos dentes.
Eu já desejei muito mal a uma pessoa.
Eu já fui acordada com a noticia que o meu marido levou um tiro.
Eu já fiz Lisboa-Porto numa hora e meia.
Eu já quase morri afogada.
Eu já fui à Disney Paris.
Eu já furei as orelhas cinco vezes e decidi fazer uma tattoo.
Eu já paguei balurdios por uma mala.
Eu já comecei a escrever um livro.
Eu já tive que dar a pior noticia de todas aos meus pais.
Eu já tive que despedir uma amiga.
Eu já andei horas sem destino.
Eu já troquei o Porto por Lisboa, por amor.
Eu já trabalhei num jornal.
Eu já me decidi a aprender alemão 1000vezes e desisti outras tantas.
Eu já emprestei dinheiro para um aborto.

Pragas

Devem ter lançado por estas bandas alguma praga, maldição e tudo esteja relacionado com desejar mal. Muitos que adoro têm apanhado sustos a valer ou têm-se visto a mãos com problemas, ou melhor problemaços.
Para ti querida amiga, que tens sido incansável comigo e com os meus, só tenho palavras de carinho. Tens aqui um ombro amigo, ou melhor dois, quatro, oito. Tudo. Nunca conseguirei agradecer-te tudo que tens feito por mim, e nesta partida que o acaso agora te pregou só me resta dizer-te pela 1000ª vez que estou por aqui. Para rir, para chorar, para espairecer sem destino, para desabafos fora de horas. Porque para ti não tenho relógio.
Tenho o sempre.

domingo, 1 de março de 2009

2 Oficiais

É oficial e vai ser mesmo desta.
Primeiro - Vou para o ginásio. A inscrição está feita e o equipamento comprado. Só falta mesmo eu lá por os pezinhos apartir de segunda-feira. Esta decisão vem muito pela necessidade que sinto de me cansar, cansar para chegar à cama e dormir pelo menos umas horas seguidas e também para arrastar a mamã para ela se distrair.
Segundo - Finalmente vai ser desta que vou a Lisboa. Já na próxima sexta-feira, onde permanecerei até domingo para matar saudades daqueles que tanto adoro e para tratar de algumas papeladas pendentes.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

26 de Fevereiro

5 meses passaram..
E serás sempre o meu Herói.
Amo-te irmão

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Twitter

Tenho que confessar que acho uma certa piada e por isso, hoje mesmo, aderi.
Em quatro anos nunca demos importância ao dia dos Namorados. Este ano não foi excepção e só me lembrei do dia que era quando, ao final da tarde, estranhei as minhas amigas todas me começaram a ligar a perguntar onde ia jantar. Não fui. Tinha tido uma manhã complicada e uma tarde cheia de trabalho e não me apetecia sair. De cabelo amarrado e com um look de trazer por casa ia-me limitar a fumar um cigarrinho no tasco à porta de casa, enquanto o Orlando se entretinha a jogar matraquilhos. Era para ser assim, mas por volta das 23h30, quando ia para casa o Orlando insistiu que fossemos sair. Repeti que não, que não me apetecia, não estava arranjada e principalmente que não tinha disposição psicológica para. Mas tanto insistiu que acabei por ir. Nesta fase tão difícil ele tem sido incansável e o que mais admiro é que tal como eu, ele foi capaz de atirar para o amanhã as suas dores e angustias, e tentar apoiar ao máximo os meus pais, no agora, no presente, mostrando-lhes que podem contar connosco. Por isso e por tudo, porque o amo, não lhe posso só dizer nãos e confiná-lo à vida cinzenta que se transformou a minha vida. Assim e embora com a certeza que não queria ir, lá acabei por ir. A nós juntaram-se os amigos mais íntimos. O local era porreirinho, o ambiente também mas uma hora e duas vodkas depois pedi para regressarmos. Se entrei lá triste, foi uma Áurea prestes a explodir em lágrimas que abandonou o local. Em silêncio até casa. Só pedia que ninguém me perguntasse nada. Não o fizeram. Conhecem-me. Sabiam o porquê do meu silêncio. Sempre defendi que na vida há um timming para tudo. Mesmo aqui, no Natal o afirmei. O meu para sair, dançar e cantar definitivamente ainda não chegou.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Meu Herói


A vida encarrega-se de nos ir dando desgostos para nos relembrar que nem todos somos iguais. Mesmo assim, estou sempre por aqui.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Nunca, nunca mais

Feliz quem se pode gabar de não ter nenhum nunca na vida. Eu dava tudo para não o ter.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Bye bye borbulhas

Hoje foi dia de graxa. E de pedinchice também. Nada o meu género, mas valeu a pena. Passo a explicar. Sempre tive algumas borbulhas na cara mas nos últimos meses, talvez pelas alterações psicológicas não sei, intensificou-se. O que ainda me enervou mais. Por menos vaidosa que uma gaja seja, ninguém gosta de se ver ao espelho e saltar à vista quatro borbulhonas e mais outras a querer ver o sol. Parvas e inconvenientes. E como não gosto de usar base lá tenho que evitar amarrar o cabelo, e abstrair-me dos vulcões que levo comigo todos os dias para o trabalho. Mas tudo tem limite, e hoje lá fui eu ao Dr.Adão Fonseca em busca duma solução. Rápida. E só ele é que a tem, e eu sei. Depois da chegazinha natural ( que se há uns anos atrás tivesse terminado o tratamento não me queixaria agora) lá se rendeu e fez-me a vontade. Com um aparelho a lembrar aqueles do dentista, queimou-me o rosto, pontinho a pontinho onde tenho acne. O tratamento é antigo , pouco praticado e muito eficaz. A dor é suportável, o cheiro a pele de porco queimada também. Pior só mesmo o rosto cheio de pequenas marcas castanhas, que me impossibilita nestes dois primeiros dias de ter uma vida profissional normal, assim o trabalho restringe-se ao escritório. Mas compensa muito e a curto-prazo. A pele em cinco dias renova-se e bye bye borbulhas. Acabei por ceder também e fazer o tratamento novamente. Odeio o Roacutan® (Isotretinoína) mas odeio ainda mais estas borbulhas feiosas.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O sol lá fora e eu..

Hoje tirei a manhã para mim. Para ficar caprichosa e sonolenta na cama até não querer mais. Apeteceu-me. E mereço. A semana inicia-se com dualidade nos pedidos. Que me ofereça ao menos um tempinho para estar com os meus, o que mal me foi permitido na semana passada tal o volume de trabalho, mas ao mesmo tempo que traga o mesmo dito volume. Não posso ter os dois. Assim sendo, fico-me pelo segundo pedido. É que a malta não vive do ar e também temos um sonho para continuar. E os meus, embora não me vejam muito, ficam conformados . É que é bom sinal que assim seja.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

4 Meses

O tempo reflecte exactamente o meu estado de espírito.
Quatro meses passaram e sinto-me a morrer de dor e saudades.
Amo-te irmão.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Today

Comecemos pelas notícias menos boas. O jeep do meu irmão foi assaltado. Em plena hora de almoço e pior, mesmo à portinha de casa, um estúpido qualquer partiu o vidro lateral e sacou o radio e televisão. Só lá ficaram os vidrinhos, uns fios e sangue. Não que deseje mal a ninguém, mas foi bem-feito que se tenha magoado. Anda aqui uma pessoa a pedir forças para aguentar tudo e ainda nos acontecem estas cenas.. enfim. Para terminar bem o dia surgiu-me um abcesso. Cheia de trabalho e reuniões, e com a cara toda inchada. Tá bonito isto, tá.
As boas noticias é que o Orlando teve "ordem" para aos poucos começar a dispensar as muletas.Ufa! Pior mesmo é o discurso caso-dramático do médico. Mas nem quero pensar nisso. Clap, clap para o Landinho. Ele merece.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Simples gesto

O conforto vem , por vezes, de onde menos se espera. Camuflado em pequenos gestos, que se mostram simples, sinceros. Assim como o nosso coração pede.A minha mãe tem a foto do meu irmão na secretaria de trabalho. Assim por jeito de o ver sempre.. De saber que ele está ali..Aqui..sempre connosco. Assim, uma colega sua deixou em frente à foto uma folha dobrada, uma simples fotocopia que não deixa antever o conforto que arrasta consigo.. Um gesto que chega ao coração..Palavras que tocam o coração.

Se me amas não chores!

Se conhecesses o mistério insondável do Céu
onde agora me encontro,
se pudesses ver e sentir o que eu sinto e vejo
nestes horizontes sem fim
e nesta luz que tudo alcança e penetra,
nunca chorarias por mim!
Estou agora absorvido pelo encanto de Deus,
pelas suas expressões de infinita beleza.
Em confronto com esta nova vida,
as coisas do tempo passado
são pequenas e insignificantes!
Conservo ainda todo o meu afecto por ti,
uma ternura
que jamais pude em verdade te revelar.
Amámo-nos ternamente em vida;
mas tudo era então muito limitado e fugaz.
Vivo na serena e alegre expectativa
da tua chegada entre nós.
Pensa em mim assim.
Nas tua lutas,
pensa nesta morada maravilhosa
onde já não existe a morte
e onde juntos viveremos num enlevo
mais puro e mais intenso,
junto à fonte inesgotável da alegria e do amor.
Se me amas de verdade,
não chores por mim!

S. Agostinho

domingo, 18 de janeiro de 2009

A pedir para desaparecer.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Filipa

A família Contacto Digital aumentou ontem com o nascimento da Filipa. Com o Luís na sua versão pai extremamente ansioso, a virar para o histérico e um padrinho que é agora o seu eterno Anjo da Guarda.
Nasceu a tua afilhada querido irmão. Protege-a, tal como fazes comigo.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Eu sei

Atreve-te a cantar

Fartei-me de rir hoje a ver o novo programa da Barbara Guimarães.Tudo por causa do rapazinho que ficava sempre na retaguarda dela na plateia. Ele ria-se,
fazia boquinhas e olhinhos para a câmara, qual olhar matador qual quê. Melhor, melhor era quando ele murmurava o teleponto.. de rir mesmo.

Frase da Semana

E quanto é que custa?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

É oficial

Nevou em Terra de Horizonte e Mar.
Pouco mas nevou.
E era ver-nos, parolinhos da Contacto , à porta do office todos deslumbrados.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Novo ano

Não foi ano novo vida nova. Nada desapareceu como por magia. Não me foi permitido estalar os dedos e tornar a ser como fui um dia.Aprendi a pior dor de todas. Aprendi que não há lugar para rewind nem forward, para o voltar atrás e mudar tudo, para o fazer correr o tempo e terminar com a ausência injusta que magoa o meu lar, e que o transformou para sempre.

De 2008 anoto as coisas boas. Foram poucas é verdade, mas não as trocaria por nada.
A minha licenciatura, os verdadeiros amigos da capital que tanto me ajudaram sempre que precisei.
O meu regresso às origens.
O meu irmão. As palavras que troquei com ele, as confidências só nossas, os desabafos secretos que tivemos, o abrir de dois corações que sabíamos ser só um. A confirmação do amor e admiração que nutríamos um pelo outro. A sua voz estremecida ao telefone quando lhe dei um dos maiores orgulhos, a conclusão do meu curso. O seu sucesso profissional que o fez distinguir-se dos demais. A sua gargalhada, o seu carisma, o seu olhar que iluminava todos à sua passagem.
O perceber que sou a imagem dos meus pais e irmão. Que os meus pais fazem tudo pelo próximo, muitas vezes calcando a sua própria dor, optando por engolir o que não devem para se manterem fiéis a si próprios e ao meu irmão.
A corrente de solidariedade da minha família e amigos que foram incansáveis e a quem muito devo.

O pior ...é inacreditável e ainda hoje me pergunto se realmente é verdade. A partida Dele para sempre. A dor, a dor e a dor. A procura de respostas, a dor de filha que vê os pais morrerem um pouco a cada dia que passa. O todas as manhãs acordar e pedir que tudo não passe dum pesadelo, que Ele volte da viagem que interiorizei que foi fazer. A falta de respeito que surge de onde menos se espera e de onde nunca deveria vir. O querer dizer umas verdades e calar, não o fazer por respeito a Ele. Só por isso. E ter que lidar com a certeza que ele iria querer que as dissesse. Mas mesmo assim não o fazer.
O tiro que o Orlando levou e que me fez temer o pior. Imaginar o que viveu naquela noite e sofrer. Ter noção do que sofri ao imaginar, e pensar no que sofreu ao tê-lo vivido. Infelizmente tiroteios não é so nos filmes Áurea.

Na mudança de ano não houve festa, nem passas, nem pé direito. As cuecas azuis ficaram por estrear e a roupa branca no armário. Não houve promessas nem resoluções, apenas o pedido secreto que Deus nos guie e sorrie. Porque estamos a precisar dum descanso. Porque acima de tudo o merecemos.

sábado, 27 de dezembro de 2008

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Três meses

Estranho como três meses parecem três anos e ao mesmo tempo apenas umas horas.
Há três meses a minha vida mudava para sempre. E se tamanha dor nos faz acreditar que tudo se passou ontem, a imensidão das saudades e a ausência da tua presença confundem-nos no tempo e assumem carga de anos.
Amo-te como ontem e assim te amarei amanhã.
Eterna saudade meu irmão

sábado, 20 de dezembro de 2008

Natal?

Se como disse já não era adepta do Natal este ano definitivamente ele não está na minha agenda. Não há cá ceia, jantares de natal nem tão pouco saídas comemorativas. Presentes não existem.O meu coração está de luto e a minha alma também. Existe um timming para tudo e o do Natal não chegará tão cedo. O espírito festivo tardará a voltar. Uns afirmam que a vida continua. Eu sei que sim. Continua mas nada mais será igual. E embora saiba que Ele nos quer bem, também sei que compreende que a vida sem Ele é difícil e magoa. Estranho seria se assim não fosse e se me permitisse a festejos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Ainda numa de adoro

E o que é bom termina depressa..mesmo assim..foi muito bom..

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Nunca fui adepta do Natal.Nunca achei piada ao consumo desenfreado típico desta altura. Não gosto do dar por dar, que geralmente culmina em ofertas que pouco ou nada nos dizem, daquelas que demoramos horas a descobrir que vamos fazer com elas.Não suporto o tire o preço sff e o mas a pessoa ao trocar vai saber o preço?. Irritam-me os centros comerciais sempre à pinha, as filas enormes para estacionar, as pessoas lentas e distraídas que atrapalham a circulação dos demais. Não suporto as musiquinhas de Natal que se fazem ouvir em todo o lado e as galas de Natal em tudo que é canal de televisão, para já não falar da publicidade aos brinquedos e ao Ferrero Rocher. Detesto bacalhau, o bolo-rei, as rabanadas.Odeio aqueles que se fazem muito solidários nesta época, quando no resto do ano se esquecem que existe o próximo. Não gosto do amo-te desta altura. Gosto do amo-te todos os dias. De o dizer sempre aos meus pais e ao Orlando ao acordar. Gosto de mostrar às minhas amigas o quão são importantes para mim todo o ano, do adoro-te quando é preciso e faz bem. Gosto de pensar no meu irmão, no meu Anjo e Príncipe e embora consumida pela dor, dizer-lhe que será sempre o meu guia e acima de tudo o grande amor da minha vida. E gosto ainda mais de saber que fui sempre assim, nunca tive medo do amo-te, do és tudo para mim. Com o muito que ficou para lhe dizer, o mais importante dissemo-lo. Que nos amávamos, que daríamos a nossa vida um pelo outro. E não o dizíamos apenas levados pelo espírito natalício. Diziamo-lo sempre, sempre que o nosso coração pedia. Fosse que dia fosse.

Cá andamos

A relação é recente, não é das melhores, e por vezes só me apetece desatar ao estalo, mas com o tempo acredito que nos vamos entender.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Formação











Até aos cabelos..

domingo, 30 de novembro de 2008

24 de Novembro II

Ele há coisas absolutamente incríveis, que de tão estúpidas só me dão é vontade de rir. Na tentativa de não partir tudo à minha frente, é claro.

Então não é que mal entro no gabinete 27 ou enfermaria ou lá o raio que o parta, apressada, histérica, deparo-me logo com outro individuo? E dizem vocês é natural Áurea, numa enfermaria estão sempre 7 ou 8 doentes. Pois é natural, mas não me parece nada normal que tenham posto exactamente na cama ao lado da do Orlando quem o tentou matar. Infelizmente a palavra é injusta e cruel, mas foi isso mesmo que ele quis fazer tendo-se mesmo gabado de o ter feito . Azarito amigo, temos um anjo protector lá em cima. Cabe na cabeça de alguém terem-los posto lado a lado? Não havia camas? Trocavam doentes, mudavam-nos de piso, de hospital, o que fosse..Agora lado a lado..

Não obstante, esperamos das 14 às 19horas por uma ambulância que tinha ido levar um doente a Sta. Marta. Eu imagino se tivesse ido a V.F.Xira, se calhar ainda la estávamos. Aos médicos que o trouxeram na ambulância tive a preocupação de perguntar se conheciam o caminho até ao hospital, claro - responderam-me prontamente. Assim sendo eu e o meu sogro viemos um pouquinho adiantados, uns cem metros, se tanto. Ora bem, eles tanto não sabiam o caminho que chegaram 35 minutos depois de nós e ainda teve que ser o pobre do Orl a levantar-se da maca e a explicar o caminho até ao Pedro Hispano.

Chegados ao Pedro Hispano constataram que do hospital A-Sintra se esqueceram de enviar o CD-ROM com todos os exames feitos. Muito importante - dizia-me o cirurgião lá em baixo. Pois, notou-se. Lá foi ele repetir tudo e mais alguma coisa. Não tinha cama para ele, pois segundo eles o A-S não o tinha reservado. Se atendessem o telefone talvez o tivessem feito. Pois então trata de dormir no corredorzinho. Um cobertor? Não acham que estão a pedir muito?

No dia seguinte ninguém que conseguia dizer quando seria realizada a operação para extracção da bala, mas bastou um telefonema recebido para ser feita de imediata. Ainda dizem que pressões não dão resultado.

E dão. Mas infelizmente para os dois lados. O Orlando foi operado as 19horas, estive com ele as 22horas (ainda estava sob efeito da anestesia geral), e eram 9h da manhã estavam-me a ligar para o ir buscar pois tinha tido alta. Tonezinha como sou pensei que o médico que o viu de manhã lhe tivesse falado sobre a operação,consequências e essas tretas todas do pós-operatório. Qual quê? Trouxe-o para casa, sem sabermos sequer quando teria que ir trocar o penso. Enfim, muita pressa para o despachar, não fosse todo o zum zum continuar.

De ressalvar a simpatia dos médicos ( sem ironias, o meu sincero obrigado)e a extrema eficiência
de cobrança do Hospital Amadora-Sintra que na quarta-feira já tinha enviado a conta cá para casa. Não fosse ficar esquecida como o CD-ROM.

sábado, 29 de novembro de 2008

24 de Novembro

O O. tinha ido para Lisboa, assim aproveitei a tarde domingo no escritório. Ao fim do dia, já em casa da Cláudia a lanchar, partilhei com ela e com o marido que não estava com bom pressentimento. Não sei..feelings.. Não se explica..
Estremunhada, estranhei os três toques apressados na campainha. Quando olhei para o relógio, 6 da manhã, ainda adormecida, senti logo que não seria boa noticia. Aos tropeções, eu e a minha mãe abrimos a porta. Na rua, envolto na escuridão surgiu o meu sogro. Despertei na hora e em segundos revivi o pior dia da minha vida, a ultima noticia que ele me havia dado, a morte de quem mais amo, o meu irmão, o meu anjo protector. Fora há tão pouco tempo que não queria acreditar que algo mais poderia vir. O meu coração diminuiu, diminuiu.Parou. Menina venha comigo a Lisboa - disse. Morreu? - gritei do alto. O alivio surgiu quando me disse que tinha sido apenas a anca e que já falara com ele. Mas eu precisei de o ouvir e só descansei quando falei com ele. O choro e o riso confundiram-se num misto de tristeza e alegria.
Bruno protegeste-o. O meu coração avisou-me de antemão.
E eu segui de imediato para a a capital.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Que mal fiz eu?

A ocasião pede um PUTA QUE PARIU A MINHA VIDA.

Agente da PSP baleado após tentativa de assalto a taxista na Amadora

Um polícia ficou hoje ferido numa troca de tiros com um indivíduo que tentou assaltar, sem sucesso, um taxista na Amadora.
Fonte da PSP avançou à Lusa que durante a troca de tiros o individuo que tentou assaltar um taxista, às 01h20, na praça de táxis da Amadora, também ficou ligeiramente ferido. "O taxista foi abordado por um homem que o tentou assaltar. Um outro taxista que viu a situação deu o alerta às autoridades que chegaram rapidamente ao local", explicou. Em comunicado, a PSP indica que ao chegarem ao local os agentes "foram recebidos a tiro tendo um deles sido atingido numa perna junto à virilha". A polícia respondeu aos disparos, tendo o suspeito sido "atingido numa perna e zona da bacia", acrescenta a mesma nota.O indivíduo, segundo a PSP de Lisboa, fugiu depois a pé para uma rua sem saída onde acabaria por ser detido. O polícia e o suspeito foram depois transportados para o hospital Amadora-Sintra, onde ficaram internados. Nenhum se encontra em perigo de vida.Na operação foi apreendida a arma utilizada pelo suspeito, cinco invólucros e uma munição, todos de calibre 7.65 mm.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Toque no coração

Porque existem mensagens que pela sua simplicidade nos tocam o coração. E esta em especial, trouxe-me lembranças que me enchem de orgulho. Pelo que foste, pelo que ainda és.
E o carinho que nutrem por Ti, chega-me à alma.


Provavelmente não te lembras de mim, ele devia-me chamar La Féria na altura, ele fazia questão de avisar as professoras nas primeiras aulas, eu dizia "chamo-me Miguel", ele levantava-se e dizia "ó stôra, não é nada, é La Féria!" :)

Tudo isto me fez lembrar muitas coisas que passamos juntos.. fazer os testes dele de TTI, de ele me pedir para ir com ele ao médico e ser uma vidente, emprestar o meu blusão da Levis pra ele sair com a Mónica para o Batô, de começarmos a comprar equipamento de musculação, ir a pé para o Solar e muita mais coisa.. enfim, custa-me a mim olhar para a foto, imagino a ti..

Estive com ele no Fonte Luz duas semanas antes, quando estive aí de férias, não falávamos á uns anos, mas na meia hora que conversamos quando eu lhe perguntei pela irmã, ele disse de imediato "está uma mulher" com um sorriso na cara e "o meu cunhado é um porreiraço"..

Quando éramos da mesma turma na Industrial, perdi o meu pai num acidente muito estúpido, tinha 18 e na altura ele ajudou-me a ultrapassar, ultrapassar não, atenuar a situação.. Já deves estar farta de conselhos , como eu estava, mas, mesmo assim, gostava de te dizer que somente o tempo te fará olhar para trás com um sorriso e quanto mais rápido tiveres esse sorriso, mais depressa fazes a tua vida.. Comigo foi assim.. acabei por chegar á conclusão que apenas nós que ficamos aqui é que sofremos, os que partem estão com um sorriso a olhar por nós.. :) ´

Manda beijinhos meus á tua mãe, acho que ela ainda se deve lembrar de mim.. :) Beijinhos, sê muito feliz!


Obrigado Miguel.